Moradora se revoltou ao encontrar pirarucu morto com boné na boca: ‘Judiação’


Peixe de 1,26 metro foi encontrado morto na orla da Lagoa Grande, em Porangatu. Secretaria de Meio Ambiente acredita que ele morreu por asfixia ou estresse. Pirarucu é encontrado morto com boné preso na boca em Porangatu
Uma moradora de Porangatu, no norte goiano, encontrou um pirarucu morto com um boné preso na boca na beira da Lagoa Grande. Diante do flagrante, a mulher, que não foi identificada, resolveu gravar um vídeo para expor a situação (veja o vídeo acima).
“Olha, gente! Que judiação! Na orla da lagoa. O bichinho está morto. Parece que ele comeu o boné”, diz ela na gravação.
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O peixe de 1,26 metro foi encontrado no último domingo (28), estendido na orla a lagoa, em uma superfície concretada. No vídeo, é possível ver que o peixe estava com algo enrolado na região das brânquias.
Em nota, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Porangatu (Semma) confirmou que o objeto que causou a morte do animal era um boné, provavelmente descartado na lagoa.
Pirarucu encontrado morto na Lagoa Grande, em Porangatu.
Fotos: Divulgação SEMMA Porangatu
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De acordo com o órgão, a localização do boné, preso às guelras do animal, pode indicar que o pirarucu tentou se alimentar do objeto, que acabou preso a ele.
A causa do óbito não foi confirmada, mas a secretaria disse que uma asfixia pode ter sido causada por obstrução das vias respiratórias, já que peixes dessa espécie precisam ir até a superfície para respirar pelas brânquias. Outra hipótese é a de que a morte teria sido causada pelo estresse provocado pelo objeto preso ao animal.
“A responsabilidade ambiental é compartilhada. Resíduos como plásticos, tecidos e outros materiais lançados de forma indevida no meio ambiente são potenciais agentes de morte para a fauna aquática e comprometem o equilíbrio ecológico dos nossos mananciais”, diz a nota.
A Semma lamentou o ocorrido e disse que mantém rotinas de monitoramento, limpeza, ações educativas e de fiscalização na Lagoa Grande.
Pirarucu
O pirarucu é um animal de alto valor ecológico, conhecido como o peixe símbolo da Amazônia. Atualmente, o manejo sustentável garante a sobrevivência da espécie, que foi incluída na lista de ameaças de extinção em 1996.
Além da importância ecológica, o pirarucu é responsável pela renda de muitas famílias ribeirinhas no norte do Brasil. Com o manejo sustentável, a pesca legal do pirarucu faturou R$ 19,8 milhões em 2023, de acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
De acordo com a Semma, a presença dos pirarucus na Lagoa Grande “é resultado direto dos esforços contínuos de manejo e conservação ambiental promovidos pelo município, que tem investido na valorização da biodiversidade local”.
Em 2023, a lagoa de quase cinco mil quilômetros quadrados passou por processo de revitalização para a despoluição da água. Na declaração, a secretaria destacou a participação da população para preservar a fauna, a flora e a qualidade ambiental do espaço.
“Este lamentável episódio evidencia um fato inegável: nenhuma gestão pública, por mais atuante e técnica que seja, consegue impedir individualmente cada atitude incorreta praticada pela sociedade. Como o descarte de um “boné” na Lagoa Grande” diz a nota.
A espécie é protegida por Instrução Normativa que proíbe a pesca na Bacia Amazônica de dezembro a maio, período de reprodução do animal, e é membro constante da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites).
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